Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006


Trilha Sonora do Dia:

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Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006


Toques Hindus:

Bandeirinha atrás da porta
Incenso de Massala
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Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006


Uno de los secretos de una vida feliz está en darse constantemente pequeños gustos.
Iris Murdoch

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Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006


De um encontro com a Fisioterapeuta :


O SEU CORPO - ESSA CASA ONDE VOCÊ MORA

Neste instante, esteja você onde estiver, há uma casa com o seu nome. Você é o único proprietário, mas faz tempo que perdeu as chaves. Por isso, fica de fora só vendo a fachada. Não chega a morar nela. Essa casa, teto que abriga suas mais recônditas e reprimidas lembranças, é o seu corpo.

"Se as paredes ouvissem..."
Na casa que é o seu corpo, elas ouvem. As paredes que ouviram e nada esqueceram são os músculos. Na rigidez, crispação, fraqueza e dores dos músculos das costas, pescoço, diafragma, coração e também do rosto e do sexo, está escrita toda a sua história, do nascimento até hoje. Sem perceber, desde os primeiros meses de vida, você reagiu a pressões familiares, sociais, morais. "Ande assim. Não se mexa. Tire a mão daí. Fique quieto. Faça alguma coisa. Vá depressa. Aonde vai você com tanta pressa? Atrapalhando, você dobrou-se como pode. Para conformar-se, você se deformou. Seu corpo de verdade - harmonioso, dinâmico e feliz por natureza foi sendo substituido por um corpo estranho que você aceita com dificuldade, que no fundo você rejeita."

É a vida, diz você; não há outra saída. Respondo-lhe que você pode fazer algo para mudar e que só você pode fazer isso. Não é tarde demais. Nunca é tarde demais para liberar-se da programação de seu passado, para assumir o próprio corpo, para descobrir possibilidades até então inéditas.

Ser é nascer continuamente. Mas quantos se deixam morrer pouco a pouco, enquanto vão se integrando perfeitamente às estruturas da vida contemporânea, até perderem a vida, pois se perdem de vista???

Saúde, bem-estar, segurança, prazeres, deixamos tudo a cargo dos nossos psiquiatras, arquitetas, políticos, patrões, maridos, mulheres, amantes, filhos. Confiamos a responsabilidade de nossa vida, de nosso corpo, aos outros, por vezes aqueles que não desejam essa responsabilidade, e que se sentem esmagados por ela: quase sempre àqueles que pertencem a instituições cuja primeira finalidade é a de nos tranquilizar e, portanto, de nos reprimir. (E quantos há, independentemente da idade, cujo corpo ainda pertence aos pais??? Crianças submissas, esperando em vão, durante toda a vida, licença para vivê-la. Menores de idade, psicologicamente, não ousam nem olhar a vida dos outros, o que não impede, porém, de tornarem-se impiedosos censores.) Quando renunciamos à autonomia, abdicamos de nossa sabedoria individual. Passamos a pertencer aos poderes, aos seres que nos recuperaram. Se reivindicamos tanto a liberdade é porque nos sentimos escravos; e os mais lúcidos reconhecem ser escravos-cúmplices. Mas como poderia ser de outro jeito, se não chegamos a ser donos nem de nossa primeira casa, da casa que é o corpo???

Você pode, no entanto, reencontrar as chaves do seu corpo, tomar posse dele, habitá-lo enfim e nele encontrar a vitalidade, saúde e autonomia que lhe são próprias. Como??? Não certamente, se você considerar o corpo como uma máquina fatalmente defeituosa e que o atravanca; como uma máquina composta de peças soltas (cabeça, costas, pés, nervos...) que devem ser confiados cada um a um especialista, cuja autoridade e veredicto são aceitos de olhos fechados. Não, certamente se você aceitar como definitivas as etiquetas de "nervos", "insano", "com mau funcionamento do intestino", "fraco", etc. e não, certamente, se você procurar fortalecer-se pela ginástica que se contenta com o adestramento forçado do corpo-carne, do corpo considerado sem inteligência, como um animal a domar.

Nosso corpo somos nós. Somos o que parecemos ser. Nosso modo de parecer é nosso modo de ser. Mas não queremos admiti-lo. Não temos coragem de nos olhar. Aliás, não sabemos como fazer. Confundimos o visível com o superficial. Só nos interessamos pelo que não podemos ver. Chegamos a desprezar o corpo e aqueles que se interessam por seus corpos. Sem nos determos sobre nossa forma - nosso corpo - apressamo-nos a interpretar nosso conteúdo, estruturas psicológicas, históricas, etc.

Passamos a vida fazendo malabarismos com palavras, para que elas nos revelem as razões do nosso comportamento. E que tal se, através de nossas sensações, procurássemos as razões do próprio corpo???

Nosso corpo somos nós. É nossa única realidade perceptível. Não se opõe à nossa inteligência, sentimentos, alma. Ele os inclui e dá-lhes abrigo. Por isso tomar consciência do próprio corpo é ter acesso ao ser inteiro, pois, corpo e espírito, psíquico e físico, e até força e fraqueza, representam não a dualidade do ser, mas a sua unidade.

Nesta perspectiva os movimentos nascem de dentro do corpo; não são impostos de fora. Não tem nada de místico ou misterioso. Tem por finalidade não que você espace a seu corpo, mas sim, que seu corpo não continue a escapar-lhe junto com a vida.

Até agora esses movimentos eram definidos por aquilo que eles não são: exercícios, ginástica. Mas que palavras conseguirão fazer entender que o corpo de um ser e sua vida são a mesma coisa e que ele só poderá viver plenamente a vida se, previamente tiver conseguido despertar as zonas mortas de seu corpo???


Texto do livro
"O CORPO TEM SUAS RAZÕES: ANTIGINÁSTICA E CONSCIÊNCIA DE SI"
Thérése Bertherat e Carol Benstein - 1977




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Terça-feira, Fevereiro 14, 2006


De um jornal de bairro:

... Sente na varanda e admire a paisagem sem se importar com as tempestades.

Use suas taças de cristal, não guarde seu melhor perfume...

...Não protele nada daquilo que somaria à sua vida sorrisos e alegria.

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Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006


Quem guarda, tem...


Roupa de Grife com mofo
Sapato que machuca...


É a conclusão depois de arrumar (corajosamente) o meu armário.

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Terça-feira, Fevereiro 07, 2006


Do Blog do Língua:

Telefones Úteis:

0800- 1968. Disk-Filosofia. Filósofos existencialistas batem papo com você sobre temas como nascimento, morte e o que acontece entre as duas coisas. Esta semana 50% de desconto para quem ligar dizendo que quer conversar sobre o viés da ontologia dos processos negativo-empíricos na obra de Ludwig Wittgestein.

0800-100 000. Disk-Insônia: Para pessoas que já tentaram todas as formas de sonoterapia - inclusive ler "Lanterna na Popa", de Roberto Campos - e continuam despertas. Dvd's com falas de economistas neoliberais, opiniões de Miriam Leitão, discursos de Lula, Alckmin, Serra e Garotinho são ativadas durante a ligação. Resultados impressionantes.




Escrito por Carlos Antônio de Melo e Castelo Branco simplesmente (Castelo)

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Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006


***
Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar

Na galeria
Cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão

As Vitrines - Chico Buarque
1981

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Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006


UMA ORAÇÃO


Recuse-se a cair.
Se não puder se recusar a cair,
recuse-se a ficar no chão.
Se não puder se recusar a ficar no chão,
eleve o coração aos céus
e, como um mendigo faminto,
peça que o encham,
e ele será cheio.
Podem empurrá-lo para baixo.
Podem impedi-lo de se levantar.
Mas ninguém pode impedi-lo
de elevar seu coração
aos céus -
só você.
É no meio da aflição
que tantas coisas ficam claras.
Quem diz que nada de bom
resultou disso
ainda não está escutando.


Clarissa Pinkola Estés


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