Domingo, Dezembro 31, 2006


Receita de Ano Novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos
percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito
nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou
qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber
mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

(Carlos Drummond de Andrade)


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Sexta-feira, Dezembro 29, 2006



Presente da D. Antonietta
Quatro Sucessos Nacionais das Novelas
Pombo Correio, Pensando Nela, Baile de Máscaras, Eu dei

D.Antonietta foi uma das minhas avós adotivas.
Italiana de Nápoles, sempre agitada e incansável.
Criou seis filhos.
Demonstrava o seu carinho,com as delícias vindas de seu fogão.
Tortas, Bolos, Macarronadas,Nhoque, Fritadas de espaguete com queijo...
Aquele sotaque vibrante perdurará em minha memória.
E as canções de Gigliola Cinquetti reinavam em sua vitrola.

Soube na semana retrasada que ela faleceu em outubro último.
Descanse em paz, minha guerreira.

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Domingo, Dezembro 24, 2006


Casas Amáveis


Vocês me dirão que as casas antigas têm ratos, goteiras, portas e janelas empenadas, trincos que não correm, encanamentos que não funcionam. Mas não acontece o mesmo com tantos apartamentos novinhos em folha?

Agora, o que nenhum arranha-céu poderá ter, e as casas antigas tinham, é esse ar humano, esse modo comunicativo, essa expressão de gentileza que enchiam de mensagens amáveis as ruas de outrora.

Havia o feitio da casa: os chalés, com aquelas rendas de madeira pelo telhado, pelas varandas, eram uma festa, uma alegria, um vestido de noiva, uma árvore de Natal.

As casas de platibanda expunham todos os seus disparates felizes: jarros e compoteiras lá no alto, moças recostadas em brasões, pássaros de asas abertas, painéis com datas e monogramas em relevos de ouro. Tudo isso queria dizer alguma coisa: as fachadas esforçavam-se por falar. E ouvia-se a sua linguagem com eternecimento. Mas, hoje, quem se detém a olhar para rosas esculpidas, acentos, estrelas, cupidos, esfinges, cariátides? Eram recordações mediterrâneas, orientais: mitologia, paganismo, saudade. (Que quer dizer saudade? E para que e o que recordar?)

Os jardins tinham suas deusas, seus anões; possuíam mesmo bosques, onde morariam ecos e oráculos; e pequenas cascatas, pequenas grutas com um pouco d'água para os peixinhos. Possuíam canteiros de flores obscuras - violetas, amores-perfeitos - para serem vistas só de perto, carinhosamente, uma por uma, de cor em cor. (Hoje, estes ventos grandiosos apagam tudo.)

E, lá dentro, as casas tinham corredores crepusculares, porões úmidos, habitados por certos fantasmas domésticos, que de vez em quando se faziam lembrar, com seus pálidos sopros, seus transparentes calcanhares, suas algemas de escravidão. As famílias abrigavam cortejos de mortos.

E havia as clarabóias. Luz como aquela? Nem a do luar! - uma suavidade de cinza e marfim, a maciez da seda, o fulgor da opala.

As casas eram o retrato de seus proprietários. Sabia-se logo de suas virtudes e defeitos. Retratos expostos ao público: nem sempre simpáticos, mas geralmente fiéis.

Agora, os andaimes sobem, para os arranha-céus vitoriosos, frios e monótonos, tão seguros de sua utilidade que não podem suspeitar da sua ausência de gentileza.

Qualquer dia, também desaparecerão essas últimas casas coloridas que exibem a todos os passantes suas ingênuas alegrias íntimas - flores de papel, abajures encarnados, colchas de franjas - e sujas risonhas proprietárias têm sempre um Y no nome, Yara, Nancy, Jeny... Ah! Não veremos mais essas palavras, em diagonal, por cima das janelas, de cortininhas arregaçadas, com um gatinho dormindo no peitoril.

Afinal, tudo serão arranha-céus. (Ninguém mais quer ser como é: todos querem ser como os outros são.)

E eis que as ruas ficarão profundamente tristes, sem a graça, o encanto, a surpresa das casas que vão sendo derrubadas. Casas suntuosas ou modestas, mas expressivas, comunicantes. Casas amáveis.




Cecília Meireles

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Quinta-feira, Dezembro 21, 2006


No início do século XX, o biólogo vienense, Raoul Francé lançou a idéia ,que chocou os filósofos contemporâneos, de que as plantas movem seus corpos com liberdade, desembaraço e graça tão grandes quanto os do ser humano e que só não apreciamos isso pelo fato de as plantas se moverem a um passo bem mais lento que o nosso.
As raízes , disse Francé, escavam perscrutantemente a terra, os brotos giram em círculos definidos, as folhas e flores vergam e tremem com as mudanças, as gavinhas se enroscam inquiridoras e se estendem com braços fantásticos para sondar o ambiente.

***
Ao manipular uma planta, deveríamos demonstrar claramente a intenção, por exemplo numa poda, sabermos a utilidade da ação e nossa mente presente "no aqui agora"com o ser do reino vegetal...Ao adentrarmos em uma casa de outra pessoa não pedimos licença? Por que não fazê-lo com o reino vegetal ?

Em um trabalho com plantas medicinais, elas estando "informadas" sobre a finalidade da colheita talvez já começassem a liberar seus princípios ativos com alegria e gratidão por estarem tendo a oportunidade de realizar a tarefa de sua existência neste planeta...

***

Acostumadas a uma pessoa, as plantas são capazes de manter com ela uma ligação sólida, seja onde quer que essa pessoa esteja.
***
Na atitude correta, as células nervosas entram em sintonia com as células vegetais que possuem seu padrão arquetípico e poderiam se reprogramar... daí a sensação de regeneração quando trabalhamos corretamente com o reino vegetal...

Fonte: A Vida Secreta das Plantas
Peter Tompkins e Christopher Bird



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Domingo, Dezembro 17, 2006



Água => Relaxamento Matricial

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Segunda-feira, Dezembro 11, 2006


Meu tio terá uma recuperação lenta. Mas, ele é Forte.

A semana que passou foi P/u/n/k.
Chuva, inundação,caos no trânsito e tio internado além de outros problemas.

Esta semana prepararei a árvore de natal e o presépio, rearrumarei a sala de estar...
Escreverei mensagens para os amigos e parentes...
Desejo que seja uma semana L~i~g~h~t.

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Terça-feira, Dezembro 05, 2006


Meu tio Zé teve um AVC no sábado.
Ele vai completar 82 anos neste dia 15.
Está sem fala e com um lado do corpo paralisado.
Eu me emocionei (choro e a voz embargada) no sábado e no domingo.
Tô dando um tempo pra não ir no hospital.
Fico por aqui orando.

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Sexta-feira, Dezembro 01, 2006



Meu Círculo de Proteção.
Eu o completo com paz, amor, saúde, cura e vitalidade.



PS: Mandala "scanneada" ,"photoshopada" e reciclada.
Colorida originalmente com lápis de cor e caneta hidrográfica.


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